Os 7 Vícios ou Pecados Capitais

 

Na maioria dos casos utilizarei sempre o termo vícios, por não gostar da significação dada a palavra pecado. Assim como um mestre que tive dizia, e com o qual concordo, “Só existe um pecado durante existência humana, que é o de viver com a consciência pesada”. Sobre estes vícios todos já conhecem o significado literal de cada um, vamos analisá-los um pouco mais profundamente. É preciso lembrar que todos estes vícios, além dos fatores que serão expostos, todos sem exceção fazem frente a justiça, seja a justiça física, com seu próprio corpo, ou a justiça social e moral. Eis então os vícios:

 

Gula: A gula é conhecida por todos como o ato de comer demais. Mais do que é necessário ao organismo. Mas a gula, não deve ser associada apenas a comida, a gula faz parte de todos os aspectos da vida. Geralmente vemos mais pessoas “gulosas” por poder, fama e dinheiro do que por comida. A gula então faz frente ao desprendimento. Quero deixar claro que quando digo desprendimento não quero dizer desprovimento. Uma pessoa não precisa ser desprovida para ser desprendida. Tem muita gente com muito dinheiro e com grande desprendimento. O que quero dizer é que a pessoas deve sempre buscar “comer” aquilo que precisa, aquilo que pode e consegue administrar, para que não tenha uma congestão. Estar ciente disto é fator importante para que as pessoas não desperdicem tempo demais de suas vidas correndo atrás daquilo que talvez percam rápido se não estiverem preparadas para receber, e também para começar a estabelecer prioridades em sua vida.

 

Luxúria: este vício é conhecido pela necessidade da pessoa em manter diversas relações sexuais, às vezes com diversos parceiros, e com todo tipo de variedade possível. A luxúria deve ser relacionada à corrupção, pois ela nada mais é do que a corrupção de um ato sublime. Faz frente à lealdade, pois o luxurioso trai sua mente em prol de seus desejos, isso se não trair também a mulher. Este talvez seja o nível mais elevado de corrupção. Logo, não ceder a luxúria é provar sua firmeza de caráter, seu domínio sobre seus desejos mais fortes e apelativos, uma prova de autocontrole.

 

Avareza: muito comum em todas as classes sociais. Quem tem alguma coisa dificilmente quer compartilha-lo. Opõe-se a prosperidade, que por natureza é formada de caridade. Um exemplo claro do que eu digo é que em qualquer família de classe média, o trabalhador, ou os trabalhadores da casa na maioria das vezes reclamam do salário que recebem, mas na hora de contratar uma empregada não pagam mais do que 151(acho que é isso o salário mínimo não é?) reais pra ela. O avarento impede o fluxo da energia da prosperidade, pois muito requisita pra si, mas nada dá em troca.

 

Preguiça: talvez seja este o mais acionado de todos os vícios, e também considerado o mais comum, já foi até “incorporado” a natureza humana. De nada adianta o Cavaleiro ter um coração puro e a mente limpa se na hora de lutar contra as injustiças em si próprio ele “deixa para amanhã”. O Cavaleiro deve dar o exemplo através da atitude, e a Ordem de Cavalaria não combina com inércia. Tem um ditado, que infelizmente não me lembro de quem é, que diz mais ou menos assim: “É mais covarde aquele que nada faz do que aquele que faz o mal”.

 

Soberba: este é outro que é acionado por pessoas de todas as classes. A maioria das pessoas sempre procura tirar vantagens dos outros seja lá por qual motivo for. Quando eu era pequeno eu contava vantagem de meus amigos porque eu tinha um problema cardíaco e eles não. E o pior é que eles ficavam tristes por também não ter um, para poder ir ao médico fazer os exames e vir contar pra turma. Qualquer coisa, geralmente muito banal, é motivo pra uma pessoa querer se mostrar pra outra. Estas pessoas se tornam cegas e perdem facilmente o rumo de suas buscas porque não são humildes e se preocupam apenas aquilo que é efêmero. São facilmente tiradas do caminho. Um Cavaleiro deve aprender a ser humilde avaliar o peso daquilo que procura e dar valor àquilo que considera mais importante.

 

Inveja: talvez dos vícios este seja o mais nojento de sentir. Faz frente a irmandade. Como pode alguém querer algo que é do outro, ou como pode alguém criticar a conquista do outro. Esse alguém frustrado procura jogar no outro aquilo que na verdade é seu próprio reflexo. O Cavaleiro deve sempre buscar as virtudes de seus semelhantes e exalta-las, ao invés de ficar fazendo críticas imbecis. Como dizia meu mestre, “Se você quer ser promovido no trabalho por seu merecimento, levanta teu chefe, bota ela pra cima, mas nunca tente puxar o seu tapete”. Preocupe-se mais com você, porque se já é difícil conduzir a própria vida, mais difícil ainda é fazê-lo preocupado com a vida do próximo.

 

Ira: a ira talvez seja o mais estúpido dos vícios, e estúpido é aquele que age em função dela. Jesus Cristo, Buda, Gandhi, Zoroastro, Abdruschin e tantos outros seres que serviram de molde para a formação dos verdadeiros valores humanos foram bem claros: Deus é amor, só pelo amor conheceremos as verdades da criação. Tudo o que é feito, se for sem amor, nada vale. Eles disseram isto, logo quem procura o caminho da evolução espiritual deve assim agir, e nunca agir em função da ira, que produz apenas ignorância. Um Cavaleiro nunca pode agir em função da ira, nunca deve clamar vingança, e sim justiça. A ira é um dos mais baixos desejos humanos e deve ser controlado e “assassinado” ainda no berço, antes que se reproduza num circulo vicioso que nunca termina.