O Ressurgir da Cavalaria
![]() |
Antes da Idade Média e em seu início o mundo era dominado pelas trevas
da ignorância. A barbárie amedrontava as pessoas de tal maneira que os
peregrinos não podiam mais praticar sua fé, as damas não mais podiam
caminhar durante o pôr do Sol e os camponeses não sentiam mais paz em
cuidar de seus prados e de suas famílias.
|
|
A lei do mais forte era cruel para aqueles despreparados para a batalha
e sem amigos e aliados no poder. A justiça não existia, os valores
humanos foram substituídos pela sangrenta guerra pelo poder e dinheiro.
Palavras
de virtudes ditas a esmo sucumbiam diante da força implacável da
raiva, do ódio e, conseqüentemente, da vingança. O amor foi
massacrado pela luxúria e pelos acordos da nobreza, e aos servos
restava chorar a perda de amigos e familiares nas mais descabidas
guerras.
Eis
que a necessidade da mudança fez a hora do raiar de uma nova esperança.
Homens estudiosos e que tinham como ideal maior de vida amar e temer a
Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a eles mesmos começaram a
modificar as idéias e vontades de uma grande e importante parcela da
humanidade, que envolvia guerreiros, clérigos e nobres, de muitos países
e várias correntes distintas. Estes homens começaram a moldar um novo
tipo de cavaleiro, que baseados naquele ideal maior procuravam no meio
de todo aquele caos, sentir, pensar e agir dentro dos princípios da
justiça e da virtude, da nobreza de coração buscando sempre vencer não
só fora, mas também dentro de cada um, a batalha contra o ódio, a
raiva, a vingança e a ignorância. Pensando sempre na esperança de um
amanhã promissor, eles plantaram muitas sementes que vêm sido regadas
e adubadas constantemente nos últimos séculos.
Muitas
“companias” de cavaleiros existiram na Idade Média, mas duas se
destacaram na busca de realizar o verdadeiro combate dentro dos princípios
da virtude e da disciplina. Uma é a lendária Corte do Rei Arthur e sua
Távola Redonda, cujas histórias mostram muitos exemplos da diferença
essencial do guerreiro para o cavaleiro. Outra foi a Ordem dos Pobres
Cavaleiros de Cristo e do Templo de Jerusalém, os Templários, que
nasceram sob o ideal de protegerem os peregrinos da Terra Santa, mas que
cresceram de maneira impressionante por toda a Europa e foram responsáveis
diretos pela organização social, política, econômica e cultural do
continente, que até então não produzia nada além de guerras.
Mas
os tempos foram passando, as espadas, cavalos e armaduras foram sendo
“aposentados” e a guerra, se não acontece mais com a mesma freqüência
de antes, compensa em quantidade de mortes e nos motivos cada vez mais
incompreensíveis. Mas este tipo de guerra hoje todos sabemos que é
apenas a exteriorização de uma guerra interior que cada homem tem de
vencer em si próprio.
O que acontece agora é que o inimigo possui recursos nunca antes
imaginados e utiliza das mais impressionantes artimanhas para as quais
talvez estejamos ainda totalmente despreparados. Isto porque nosso
inimigo é parte integrante da política e da religião, e está ditando
as regras de nossa vida através das mídias e atacando o ponto
fundamental da sociedade, a família, que cada dia que passa se mostra
mais desestruturada e sem importância.
O
cenário atual não parece estar muito diferente daquele citado no início
do texto referente a um período que tem mais de mil anos de diferença
para nós.
Pois
então é hora da cavalaria voltar ao mundo. Mas algumas coisas precisam
ser adaptadas nessa guerra. Nossa espada é nosso cérebro, que corta
com o fio da palavra e o fio da atitude, e que deve ser empunhada com as
mãos de um coração nobre e disciplinado, cheio de virtude e também
de esperança porque serão utilizados os mais baixos golpes contra
aqueles que ousarem levantar essa bandeira.
Nosso
inimigo possui muitos nomes: ignorância, alienação, egoísmo, preguiça,
indiferença dentre tantos. Percebe-se então que não há escapatória,
a primeira batalha deve ser travada dentro de nós, ou então a guerra já
estará perdida. Mas para nosso alívio, nossos aliados também residem em nosso território, talvez apenas em lugares menos explorados. Temos de buscar a força em nossa essência, que é formada de amor, justiça e pureza. Devemos lembrar também do maior objetivo de nossa busca que é amar, temer, honrar, servir e conhecer o Criador pois assim descobriremos que através da oração e da vigília sinceros estaremos intimamente ligados a Ele e assim não faltará prudência, nem temperança, nem fortaleza, nem justiça em nossas atitudes, palavras e pensamentos e que assim venceremos a guerra pois não mais sentiremos em nossos corações a ausência da fé, da esperança e do amor.
|
|